4 de setembro 2010
 
 

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Convocação e canção de Caetano: emoções de Bobô

Por Esquivel, Larissa e Danielí

Alex Esquivel / Larissa Barbosa / Danielí Nunes: Jogar na Seleção Brasileira, depois do Título de 1988 pelo Bahia, foi um sonho realizado?

 

Bobô: Foi. Veio num momento importante na minha vida porque eu sabia que ia acontecer isso comigo. Já era para acontecer em 1986, quando eu estava no Bahia também, e eu cheguei a

Ex-jogador também foi técnico
do Bahia. Foto: Arquivo ECB

receber um telefonema da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) dizendo que estava convocado. Foi o maior trauma da minha vida porque eu ainda não tinha preparo emocional pra suportar uma decepção. Era o meu primeiro ano de Bahia, recém-saído da Catuense. Aí me iludiram. Era pra ter sido convocado. Era a seleção Sub-23, chamada de Seleção Olímpica. E eu com uma alegria, uma adrenalina... O coração não parava de bater acelerado. No dia seguinte sai a relação sem meu nome. Eu não me esqueci, tinha um jogo amistoso marcado pra uma cidade de Sergipe, Lagarto... Ah, rapaz, eu nunca odiei tanto Lagarto (risos). E ainda tinha esse jogo amistoso pra fazer, no dia em que eu recebi o não. Eu me lembro que entrei no jogo, fiz o gol logo no início e saí. Não joguei. Então, a seleção veio pra mim, foi muito interessante, mas eu sabia que a seleção estava ali por conta do título.

 

A. E. / L. B. / D. N.: Você foi homenageado por Caetano Velloso, foi um ídolo no Bahia, um grande craque do São Paulo e ganhou títulos por todos os clubes pelos quais passou. Você acha que deveria estar naquele elenco da Copa de 1990?

 

Bobô: Não sei se deveria, eu gostaria. Aquela Copa de 1990 causou injustiça a um monte de atletas no Brasil e eu me sinto, até um certo ponto, injustiçado. Charles poderia ter ido, Neto poderia ter ido...  Sinceramente, foi até bom eu não ter ido, ia ficar caracterizado como um grande fiasco, até porque ela foi extremamente mal dirigida. Para mim, ela causou prejuízo a uns quatro a cinco atletas que poderiam estar servindo à seleção melhor até do que alguns convocados. Foram jogadores machucados como o Tita, que não tinha condição de ir, mas porque era do Rio, amigo do Lazaroni e foi um grande jogador carioca, acabou sendo chamado.

 

 

A. E. / L. B. / D. N.: Caetano compôs uma música que define bastante você em um trecho, talvez seja a melhor definição sua como jogador. O que você sentiu ao ouvir Côncavo e Convexo pela primeira vez?

 

Bobô: Pra mim foi uma surpresa na época que ouvi pela primeira vez. Ele não falou comigo, eu só soube através da Rádio Jovem Pan de São Paulo. Eles fizeram uma entrevista muito demorada comigo no São Paulo, e fui informado de uma homenagem feita por um conterrâneo meu. Foi quando colocaram o trecho da música de Caetano e fiquei extremamente emocionado. Aí pude dizer que fui literalmente imortalizado (risos).

 


Ficha Técnica

Conteúdo produzido por estudantes do 3º semestre, em 2008.1, para a disciplina Redação III sob orientação do(a) professor (a) Lilian Reichert

Autores: Alex Esquivel, Larissa Barbosa e Danielí Nunes.